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Importado é 21% do consumo nacional

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A participação dos produtos importados no mercado brasileiro é recorde neste ano. O chamado coeficiente de penetração das importações - que é quanto os itens industriais do Exterior representam do total do consumo nacional - atingiu 21,5% no acumulado dos último quatro trimestres até setembro, aponta estudo da Confederação Nacional da Indústria.

Isso significa que, de tudo que é consumido no País, como insumo pelas indústrias ou produto final pelas pessoas, 21,5% (mais de um quinto) vêm de fora. Esse índice vem em crescimento constante (com exceção de 2009) desde 2003, passando de 12,1% nesse ano para 20,3% no ano passado.

Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, a valorização do real ajudou nesse processo, não só pela maior entrada de competidores estrangeiros, mas porque os fabricantes nacionais, para enfrentar em melhores condições a concorrência externa, têm adquirido mais componentes de outros países. O gerente executivo da unidade de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, assinala ainda que, junto com a questão cambial, a retração da economia mundial também colabora para tornar atrativo o mercado brasileiro.

VELOCIDADE - Para o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Júlio Gomes de Almeida, que é ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, salta aos olhos a velocidade com que vem crescendo o coeficiente de penetração das importações, enquanto o índice de exportações de manufaturados em relação à produção nacional segue estabilizada.

Almeida avalia que só se houvesse expansão tanto da aquisição de itens do Exterior quanto do volume de encomendas nacionais a outros países isso seria positivo, indicando processo de modernização da economia. No entanto, não é o que acontece.

A questão, segundo ele, preocupa, já que aponta tendência de perda de mercado e também de empregos para outros países. E se a situação, de forma geral, é preocupante, em alguns segmentos "é dramática", pela rápida perda de espaço para o importado. É o caso, por exemplo, de máquinas e equipamentos, cujo coeficiente de importação cresceu de 31,9% em 2009 para 39,7% neste ano, e produtos têxteis, cujo índice saltou de 14,65% para 22,6% nesse período.

Fonte: Diário do Grande ABC
Data de publicação: 23/11/2011